Um grande número de pessoas sofre diariamente com as alergias alimentares, geralmente ligadas a determinados ingredientes ou seus derivados, sendo que a maioria das crises acontecem logo após a ingestão e podem desencadear diversas reações graves. Alguns dos sintomas mais comuns ligados a essas alergias são: inchaço em algumas partes do corpo, náuseas, diarreia, coceira, respiração dificultada, manchas avermelhadas pelo corpo etc. Em casos mais graves, é possível que o indivíduo alérgico venha a óbito. 

Por esse motivo, é tão importante que as empresas adéquem os rótulos dos alimentos — é necessário que todas as informações sejam apresentadas de forma prática e padronizada, em letras legíveis e em uma linguagem simples para não gerar dúvidas ao consumidor. Desde 2016 a ANVISA determinou que todo produto deve sair de fábrica contendo informações sobre seus ingredientes alergênicos. São cerca de 17 itens que devem ser listados, como trigo, leite, nozes, crustáceos etc. 

Confira agora tudo o que você precisa saber sobre esses ingredientes alergênicos e como é possível evitá-los. Boa leitura!

Alergia alimentar x Intolerância alimentar

Nas últimas décadas, as alergias e intolerâncias alimentares têm provocado grandes problemas de saúde. A alergia é facilmente confundida com a intolerância a determinado alimento — elas podem ser bem parecidas, mas as reações causadas são a grande diferença. 

Os ingredientes alergênicos provocam uma reação intensa do sistema imunológico, porque percebe erroneamente a proteína do alimento como algo prejudicial. O organismo, então, reage rápido tentando eliminar o “invasor”.

Já a intolerância alimentar é o resultado da incapacidade do organismo de absorver algum componente presente no alimento. No caso do leite, por exemplo, as pessoas intolerantes à lactose não produzem a enzima lactase (responsável por digerir a lactose), que passa, então, a ser fermentada no intestino, gerando desconforto abdominal, gases, entres outros. Acredita-se que cerca de 70% da população adulta brasileira é intolerante a lactose e não sabe. 

Saiba identificar se você é alérgico a algum alimento

Quando se trata de alergia alimentar, o maior causador ainda são os fatores hereditários. Cerca de 50% das pessoas com esse problema têm histórico familiar. A introdução precoce de alimentos em bebês no período de amamentação ou o desmame prematuro também contribuem para desencadear alergias, devido ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento e ao intestino imaturo. 

O primeiro passo para um diagnostico correto é procurar um médico, que pedirá uma série de exames para detectar o alimento alergênico: avaliação sanguínea, biópsia intestinal, endoscopia, dietas de exclusão, testes cutâneos, entre outros. 

Só assim o profissional poderá dizer com mais clareza qual é o alimento causador da alergia e qual é o melhor tratamento a ser feito. O mais provável é a dieta da eliminação.

Os principais ingredientes alergênicos 

Como falamos no início deste texto, a ANVISA estipulou uma lista contendo os principais causadores de alergias alimentares para que as empresas pudessem se adequar quanto à rotulação dos produtos. Conheça agora quais são esses ingredientes:

  • trigo, centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas;
  • crustáceos;
  • ovos;
  • peixes;
  • amendoim;
  • soja;
  • leites de todas as espécies de animais mamíferos;
  • amêndoa;
  • avelãs;
  • castanha de caju;
  • castanha-do-brasil ou castanha-do-pará;
  • macadâmias;
  • nozes;
  • pecãs;
  • pistaches;
  • pinoli;
  • castanhas;
  • látex natural.

Caso o produto contenha algum desses alimentos ou seus derivados na composição, a informação precisa estar discriminada em caixa alta na embalagem da seguinte forma: ALÉRGICOS: CONTÉM (e o nome dos ingredientes encontrados). 

Entre os alimentos que causam alergias, existem alguns que são mais comuns e fáceis de identificar. Veja quais são:

Leite de vaca

O leite tem três principais alergênicos: alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina e caseína. Os sintomas mais comuns ligados a essa alergia são coceiras na pele, disfunção intestinal e rinite.

Hoje em dia já é possível substituir esse alimento pelos leites vegetais, que podem ser encontrados prontos no mercado ou podem ser feitos em casa.

Trigo

Esse item faz parte da rotina diária de muitas pessoas, pois está presente em vários produtos, como massas, pães e bolos. O trigo tem uma proteína chamada omega-gliadina, que é a responsável pela maioria das reações alérgicas, e os sintomas mais frequentes são a rinite e a asma.

Nesse caso, uma boa opção para substituir a farinha de trigo refinada é a farinha integral.

Ovo

Muito comum em crianças, a alergia ao ovo acontece, principalmente, por causa da ovoalbumina, a proteína presente na clara. Para substituir esse alimento existe um gel feito com base nas sementes de linhaça, muito usado em receitas em que o ovo é “indispensável”.

Peixes e frutos do mar

A alergia a esses alimentos ocorre tanto em crianças quanto em adultos. Embora os sintomas sejam parecidos com os demais alimentos, são os que causam as reações mais severas, como inchaço da boca, faringe, laringe e coceiras pelo corpo.

Alimentos geneticamente modificados e seus riscos a saúde

Como já vimos, alguns casos de alergias alimentares estão ligados à predisposição genética, mas essa mudança também está associada ao estresse, à piora na qualidade de vida, ao alto consumo de produtos processados e à ingestão de alimentos geneticamente modificados. 

Este último ainda causa muita polêmica, mas o consumo desses alimentos modificados não pode ser descartado como o causador de algumas alergias. Ainda não existem estudos conclusivos, porém algumas pesquisas sugerem que a mesma tecnologia usada para o aumento da produtividade da agricultura está ligada ao surgimento de alguns problemas de saúde, como o mal de Parkinson, a infertilidade, alguns tipos de câncer e problemas intestinais — que desencadeiam ou agravam transtornos alimentares relacionados ao glúten, inclusive a doença celíaca (uma grave doença autoimune). 

Os perigos causados pelos alimentos geneticamente modificados ainda estão sendo estudados, mas esses produtos devem ser fiscalizados por órgãos competentes que certifiquem que seu cultivo seja seguro. Na dúvida, é sempre bom optar por alimentos orgânicos.

Agora que você conhece um pouco mais sobre os ingredientes alergênicos, não se esqueça de sempre analisar com cuidado o rótulo dos produtos e não compre nada que não tenha uma rotulagem adequada. Lembre-se também de consultar o seu médico caso apresente reação adversa após a ingestão de algum alimento: o diagnostico é muito importante para a realização de um tratamento adequado e satisfatório. 

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