Ao ouvir a expressão “mochileiro”, muita gente pensa em alguém de dreads no cabelo, sandália de couro e andando sem rumo. Mas não é bem isso, para ser um mochileiro não é preciso fazer o estilo hippie ou sair por aí vendendo artesanato, embora também tenha essa liberdade.

A questão é que você pode viajar sem se preocupar em seguir um padrão, o mais importante é se aventurar e descobrir novos horizontes que a estrada tem para você. Pode ser de mochila tradicional, mala de rodinhas, ou trouxa nas costas. Hoje em dia existem agências de turismo que fazem o serviço Mochilão, com direito a passagens de ônibus e trem, hospedagem em hotéis e roteiro já traçado, embora isso seja um pacote de viagem. Mas sem preconceito, pra quem viaja de pacote ou de carona, o objetivo é sempre o mesmo: viajar.

Os mochileiros dividem ideias e uma certa tradição que são de uma cultura a parte, é um meio de explorar o mundo, de viajar e gerar um crescimento pessoal e espiritual. Não se contentam em “estacionar” em um lugar por muito tempo, gostam de superar os seus limites e buscar novas aventuras, pelo menos até que chegue a hora de voltar para o trabalho. O “barato” das viagens não é conhecer pontos abarrotados de turistas e pontos clichês de visitação, o maior prazer é conhecer o povo desses novos lugares por onde passam, ter choques de cultura e experimentar um outro estilo de vida, principalmente os que fogem dos padrões da sociedade consumista e tradicional.

Toda essa tradição mochileira é fruto de um pensamento inovador e que procura desvendar limites entre as fronteiras, não só territoriais, mais também imaginárias. É uma maneira de interagir com o desconhecido e não se acomodar à vida rotineira, “o mundo vai ser sempre o quintal de quem busca conhecer o que existe fora da porta de sua sala”.

O método mochileiro de viajar, carrega dois fatores muito positivos, primeiro: é mais barato, pois é um meio independente e alternativo, onde vale andar de ônibus, de trem ou até mesmo pedir carona, que entre as outras alternativas, é a mais empolgante. Segundo: proporciona maiores chances de conhecer lugares e pessoas de diferentes regiões e países, que também optam por esse estilo de viagem. É possível ouvir novas estórias e dividir experiências.

Para fazer uma boa viagem mochileira é preciso traçar um roteiro, ou pelo menos dar o primeiro passo. Também vale fazer um orçamento no que vai gastar pelo caminho, embora isso não seja tão previsível, depois é só arrumar a bagagem e por o pé na estrada. Busque superar seus limites e conhecer para onde os novos caminhos te levarão, afinal, como dizia Jack Kerouak:

“Qual é a sua estrada, homem? A estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada… Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?”

(Jack Kerouak)

Boa viagem!